Queridos amigos do Duas Rodas,
Primeiramente gostaria de dizer que é uma imensa satisfação fazer parte desta grande família. Apesar de estar no grupo a pouco tempo, a muito me sinto uma veterana, graças a receptividade e energia contagiante de todos vocês.
O Duas Rodas mudou minha vida! Ganhei amigos, ganhei saúde, ganhei lazer e ganhei a oportunidade de conviver com pessoas distintas entre si, mas muito semelhantes nesta sede de pedalar em busca de algo mais... de algo que possa nos preencher de alguma forma e que nos fortalecer diante dos obstáculos do dia-a-dia.
Digo ganhei porque ter o privilégio de participar deste grupo é um presente de Deus! E poder pedalar rumo à Santiago de Compostela não é um acaso....
Não tenho dúvida que todos vocês estarão conosco a cada pedalada, a cada cansaço, a cada chegada... De uma forma ou de outra e como uma grande família que somos, muitos estão contribuindo com essa viagem: o material de apoio, o preparo das bikes, as dicas, os incentivos, as vibrações positivas e o desejo de cada um em fazer parte desta trajetória. Obrigada a cada um em especial.
Esperamos representar com garra o Duas Rodas e contribuir com a história deste grupo!
Parabéns Souza e Pri pela dedicação e esforço constante pelo fortalecimento do grupo. O resultado desta conquista pudemos sentir no sucesso da nossa festa de 5 anos.
Depois de infinitos meses, já podemos contar as horas para nossa partida... mas já pensando na volta cheia de novidades para dividir com vocês!!!
Acompanhem o blog: caucarvalho.blogspot.com
Valeu!!! E até a volta!!!!!
bjxxxxxxxxxxxxx
Gabi
terça-feira, 31 de agosto de 2010
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Previsão do trajeto - Primeiro dia
Já sabemos que no primeiro dia o que nos espera é algo em torno de 70Km então dediquei um tempinho para fazer todo o trajeto pelo Google Earth e o que vi foi:
Sairemos de San sebastian ao nível do mar e faremos uma subida de uns 170m até o alto do monte Igueldo de onde devemos ter uma vista de toda a Baia de San Sebastian;
Daí para frente continuaremos em subida até uns 240m onde passaremos pela Vilarejo de Igueldo;
Continuaremos subindo até uns 350m e depois desceremos até a cidade de Orio, que fica ao nível do mar.
Esta primeira parte do trajeto tem uma extensão de menos de 18Km, e terá a subida mais forte do dia;
A nível do comparação, destaco que o nosso Morro da Lagoa tem uma altitude máxima de 140m. Ou seja, vai ser “pedreira”;
De Orio até Zarautz, vamos ter um subida que beira os 100m e voltaremos ao nível do mar;
De Zaraut até Deba vamos costeando o mar cantábrico e não passaremos dos 50m;
Só pra constar de Orio a Deba são uns 30Km;
Os 22Km de Deba até Lekeito não terão subida acima dos 100m, mas não deve ser muito mole, pois devemos subir e descer antes e Ondarroa e depois vamos costear a uma altuma média de 50m entre Ondarroa e Lekeito, mas nessa parte teremos uma subidinha de 100m.
Pelo que vi é isso pro primeiro dia.
Sairemos de San sebastian ao nível do mar e faremos uma subida de uns 170m até o alto do monte Igueldo de onde devemos ter uma vista de toda a Baia de San Sebastian;
Daí para frente continuaremos em subida até uns 240m onde passaremos pela Vilarejo de Igueldo;
Continuaremos subindo até uns 350m e depois desceremos até a cidade de Orio, que fica ao nível do mar.
Esta primeira parte do trajeto tem uma extensão de menos de 18Km, e terá a subida mais forte do dia;
A nível do comparação, destaco que o nosso Morro da Lagoa tem uma altitude máxima de 140m. Ou seja, vai ser “pedreira”;
De Orio até Zarautz, vamos ter um subida que beira os 100m e voltaremos ao nível do mar;
De Zaraut até Deba vamos costeando o mar cantábrico e não passaremos dos 50m;
Só pra constar de Orio a Deba são uns 30Km;
Os 22Km de Deba até Lekeito não terão subida acima dos 100m, mas não deve ser muito mole, pois devemos subir e descer antes e Ondarroa e depois vamos costear a uma altuma média de 50m entre Ondarroa e Lekeito, mas nessa parte teremos uma subidinha de 100m.
Pelo que vi é isso pro primeiro dia.
Previsão do trajeto - Segundo dia
Na saida de Lekeitio, pela BI 2328, comecamos uma subida até Ereño que fica a uns 270 metros em relação ao nível do mar, mas deve ser uma subida suave pois será de aproximadamente 10Km de extensão. Logo em seguida começamos a descer e será uma descida longa de aproximadamente outros 10km até Kortezubi.
Daí pra frente um bom trecho plano a uns 20 metros em relação ao nível do mar, passaremos por Gernika-Lumo e vamos assim até Muxika.
De Muxika encararemos outra subida até Autzagane que fica a 226 metros, sendo que parece ser uma subida um pouco íngreme.
Nova descida até N 634 onde devemos pegar um trecho novamente plano com pequenas variações de altura até Bilbao, sendo que na entrada de Bilbao, pra fechar o dia, um morrinho de 100 metros.
Pedal total de 52 Km.
Devemos chegar em Bilbao cedo e poderemos aproveitar o resto do dia pra curtir a cidade.
Daí pra frente um bom trecho plano a uns 20 metros em relação ao nível do mar, passaremos por Gernika-Lumo e vamos assim até Muxika.
De Muxika encararemos outra subida até Autzagane que fica a 226 metros, sendo que parece ser uma subida um pouco íngreme.
Nova descida até N 634 onde devemos pegar um trecho novamente plano com pequenas variações de altura até Bilbao, sendo que na entrada de Bilbao, pra fechar o dia, um morrinho de 100 metros.
Pedal total de 52 Km.
Devemos chegar em Bilbao cedo e poderemos aproveitar o resto do dia pra curtir a cidade.
Previsão do trajeto - Terceiro e Quarto dias
O terceiro dia aparece sem grandes surpresas e a N 634 se confirma, pelo GoogleEarth como uma boa opção pois neste dia não vem com grandes subidas.
Nos 60 km até Laredo teremos leves subidas.
A primeira até La Rigada onde deveremos chegar as uns 12Ometros, depois uma descida ate Onton.
De Ontom em diante voltamos a subir, mas desta vez com vista para o Mar ate pouco antes de Mioño, onde já voltaremos ao nível do mar, e assim seguiremos por Brazomar, Castro, Urdiales, Cerdigo e nova elevação leve (70m) pouco antes de Islares.
Nova descida depois Islares.
Daí pra frente mais uma subida até 140Metros pouco antes de Isequilla onde vamos passar a uns 25mstros de altitude.
Antes de chegar a Laredo uma nova subida (a pior do dia 157metros) e deu...
O Quarto dia ficou fácil demais e por isso acho que deveríamos juntar com o terceiro .
Os 50 quilometros entre Laredo e Santander, só apresentam uma única subida, a qual fica em Ribamontám al Monte, onde devemos chegar a pouco mais de 180 metros.
Depois disso, só descida e pedais planos até Santander onde devemos ter varia opções de hospedagem.
Fica o desafio, de pedalar 110 Km em um dia, mas depois de uma noite bem dormida em Bilbao.
Será que vamos conseguir...
Nos 60 km até Laredo teremos leves subidas.
A primeira até La Rigada onde deveremos chegar as uns 12Ometros, depois uma descida ate Onton.
De Ontom em diante voltamos a subir, mas desta vez com vista para o Mar ate pouco antes de Mioño, onde já voltaremos ao nível do mar, e assim seguiremos por Brazomar, Castro, Urdiales, Cerdigo e nova elevação leve (70m) pouco antes de Islares.
Nova descida depois Islares.
Daí pra frente mais uma subida até 140Metros pouco antes de Isequilla onde vamos passar a uns 25mstros de altitude.
Antes de chegar a Laredo uma nova subida (a pior do dia 157metros) e deu...
O Quarto dia ficou fácil demais e por isso acho que deveríamos juntar com o terceiro .
Os 50 quilometros entre Laredo e Santander, só apresentam uma única subida, a qual fica em Ribamontám al Monte, onde devemos chegar a pouco mais de 180 metros.
Depois disso, só descida e pedais planos até Santander onde devemos ter varia opções de hospedagem.
Fica o desafio, de pedalar 110 Km em um dia, mas depois de uma noite bem dormida em Bilbao.
Será que vamos conseguir...
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Por que fazer o caminho de Santiago de Compostela
Esta pergunta é difícil de responder.
À primeira vista as razões que levariam alguém a peregrinar até Santiago de Compostela dividem-se em três grupos: o religioso, o esportivo e o aventureiro.
Em quais destes me encaixo?
Nos 3...
Vou tentar explicar.
Quem me conhece sabe que gosto de aventura. Desde pequeno gostei coisas como mochilas, cabos, mosquetões e etc. Fui criado com liberdade e adorava andar no mato. Na adolescência variava minha diversão entre subir o morro da cruz a pé para ver a cidade do alto, andar de bicicleta pela cidade vazia, ou andar a cavalo na casa de amigos. Felizmente, tive bons amigos que me proporcionaram ótimos finais de semana em cima de um cavalo.
Em seguida a vela entrou forte e roubou o espaço da outras atividades. Para mim a vela era mais uma aventura de que um esporte. Com ela podia acampar dentro do barco fugindo da rotina e me aventurando nas águas.
Logo em seguida veio o vestibular, universidade e trabalho. Dai pra frente minhas aventuras passaram a ser desenvolvidas no período noturno e assim me tornei um boêmio intenso e mantive só a vela com um esporte ocasional, onde também degustava uns “drinks on board”.
Felizmente, passado vários anos tive a oportunidade de voltar a pedalar. Isso aconteceu durante os últimos tempos em que morei em Brasília. E como diziam os brasilienses, fui contaminado pelo vírus das MTBs. Lá descobri o cicloturismo e fiz alguns passeios e trilhas, o que definitivamente mudou minha visão do cerrado, e onde fiz vários amigos.
A bike juntava a pratica de uma atividade física com a possibilidade de fazer algumas aventuras, isso com muito prazer e ao lado de bons amigos. Poderia ser melhor?
Bom, justifiquei meu enquadramento em duas razoes para fazer o caminho, mas e o religioso? Será que tem a ver comigo?
Vamos lá...
Minha família é católica, tive avós praticantes e apesar de meus pais não terem o costume de ir a missas, eu sempre gostei. Alias, acho que precisei... Encontrava em minhas orações conforto e força. Estudei no Colégio Catarinense e lá participava da cruzada eucarística.
Ai tem uma passagem interessante: os participantes da cruzada tinham privilégios em Pinheiral (uma colônia de férias bem especial na época) e para alguns amigos eu só havia entrado na cruzada para ir lá ( é, para alguns, meu lado aventureiro ofuscava o religioso). Na verdade não era assim. Sai do colégio no último ano do ginásio (terceiro científico, na época) e nunca fui a pinheiral.
Com o passar dos anos, minha crença e fé só aumentaram. Tive oportunidade de conhecer e estudar a doutrina espírita e hoje me considero acima de tudo um cristão, me conforto com a fé católica, a qual me formou e busco evoluir com as informações espíritas.
Acredito que na peregrinação terei oportunidade de reafirmar votos e poderei crescer com as experiências, com o desapego e com as reflexões que farei.
Dizem que é comum um peregrino questionar o outro sobre os motivos que o fazem peregrinar. Ainda não tenho minha resposta completamente pronta, mas gostei muito de uma que no livro O Caminho de Santiago, Uma peregrinação ao Campo das Estrelas. A qual reproduzo abaixo:
- Por que fazes o caminho? – Perguntou o autor;
- Para me fazer amigo de Santiago. Para mostrar o respeito e venero. Respondeu Felix, um peregrino.
- Queres ficar amigo de Santiago para poder pedir-lhe alguma coisa?
- Não. Não se pede nada aos verdadeiros amigos. Quando precisamos de algo, eles pressentem e ficam felizes em nos ajudar, como nós a eles. Não vou pedir nada ao santo. Ele saberá o que pode me dar e o que mereço receber. Deixo nas mão deles.
À primeira vista as razões que levariam alguém a peregrinar até Santiago de Compostela dividem-se em três grupos: o religioso, o esportivo e o aventureiro.
Em quais destes me encaixo?
Nos 3...
Vou tentar explicar.
Quem me conhece sabe que gosto de aventura. Desde pequeno gostei coisas como mochilas, cabos, mosquetões e etc. Fui criado com liberdade e adorava andar no mato. Na adolescência variava minha diversão entre subir o morro da cruz a pé para ver a cidade do alto, andar de bicicleta pela cidade vazia, ou andar a cavalo na casa de amigos. Felizmente, tive bons amigos que me proporcionaram ótimos finais de semana em cima de um cavalo.
Em seguida a vela entrou forte e roubou o espaço da outras atividades. Para mim a vela era mais uma aventura de que um esporte. Com ela podia acampar dentro do barco fugindo da rotina e me aventurando nas águas.
Logo em seguida veio o vestibular, universidade e trabalho. Dai pra frente minhas aventuras passaram a ser desenvolvidas no período noturno e assim me tornei um boêmio intenso e mantive só a vela com um esporte ocasional, onde também degustava uns “drinks on board”.
Felizmente, passado vários anos tive a oportunidade de voltar a pedalar. Isso aconteceu durante os últimos tempos em que morei em Brasília. E como diziam os brasilienses, fui contaminado pelo vírus das MTBs. Lá descobri o cicloturismo e fiz alguns passeios e trilhas, o que definitivamente mudou minha visão do cerrado, e onde fiz vários amigos.
A bike juntava a pratica de uma atividade física com a possibilidade de fazer algumas aventuras, isso com muito prazer e ao lado de bons amigos. Poderia ser melhor?
Bom, justifiquei meu enquadramento em duas razoes para fazer o caminho, mas e o religioso? Será que tem a ver comigo?
Vamos lá...
Minha família é católica, tive avós praticantes e apesar de meus pais não terem o costume de ir a missas, eu sempre gostei. Alias, acho que precisei... Encontrava em minhas orações conforto e força. Estudei no Colégio Catarinense e lá participava da cruzada eucarística.
Ai tem uma passagem interessante: os participantes da cruzada tinham privilégios em Pinheiral (uma colônia de férias bem especial na época) e para alguns amigos eu só havia entrado na cruzada para ir lá ( é, para alguns, meu lado aventureiro ofuscava o religioso). Na verdade não era assim. Sai do colégio no último ano do ginásio (terceiro científico, na época) e nunca fui a pinheiral.
Com o passar dos anos, minha crença e fé só aumentaram. Tive oportunidade de conhecer e estudar a doutrina espírita e hoje me considero acima de tudo um cristão, me conforto com a fé católica, a qual me formou e busco evoluir com as informações espíritas.
Acredito que na peregrinação terei oportunidade de reafirmar votos e poderei crescer com as experiências, com o desapego e com as reflexões que farei.
Dizem que é comum um peregrino questionar o outro sobre os motivos que o fazem peregrinar. Ainda não tenho minha resposta completamente pronta, mas gostei muito de uma que no livro O Caminho de Santiago, Uma peregrinação ao Campo das Estrelas. A qual reproduzo abaixo:
- Por que fazes o caminho? – Perguntou o autor;
- Para me fazer amigo de Santiago. Para mostrar o respeito e venero. Respondeu Felix, um peregrino.
- Queres ficar amigo de Santiago para poder pedir-lhe alguma coisa?
- Não. Não se pede nada aos verdadeiros amigos. Quando precisamos de algo, eles pressentem e ficam felizes em nos ajudar, como nós a eles. Não vou pedir nada ao santo. Ele saberá o que pode me dar e o que mereço receber. Deixo nas mão deles.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
O que é o Caminho de Santiago de Compostela
O Caminho de Santiago é uma antiga rota de peregrinação que se estende por todo a Peninsula Ibérica até a cidade de Santiago de Compostela, no extremo oeste da Espanha, onde se acredita estar o túmulo do Apósotolo.
Desde o Século IX, homes e mulheres partem de suas cidades tendo como destino aquele lugar sagrado, moviemnto este que teve auge nos séculos XII e XII, com a passagem de centenas de milhares de viajantes.
Hoje em dia, pessoas de todas as idades imitam os passos medievais e percorrem este antigo traçado; uns por espírito religioso-cristão, outros por misticismo, busca interior ou apenas como aventura.
Um pouco de História:
Após a ressureição de Cristo, os apóstolos seguindo a orientação que o Senhor lhes transmitiu na terceira aparição, saíram da Judéia para espalhar suas palavras em terras desconhecidas. Tiago, filho de Zebedeo e Salomé e irmão de João "O Evangelista", frustrado com as constantes perseguições que sofreu Cristo e que continuava atingindo todos os demais cristãos, decidiu pregar em Finisterrae um lugar muito remoto onde não haviam perseguições aos cristãos.
Esta região, a mais a oeste da Europa, era então considerada o fim do mundo, daí o seu nome. Após uma longa jornada, em um pequeno veleiro que praticava o comércio em todo o Mediterrâneo, chegou a Iria Flávia, cidade na qual conseguiu vencer várias dificuldades iniciais e à partir da qual iniciou seu trabalho de evangelização entre os povos da região. Após seis anos de pregação, decidiu que era hora de voltar à Palestina a fim de contar o que tinha conseguido e trazer mais evangelizadores à Hispania. O retorno foi muito difícil e dois anos depois finalmente aportou em Jafa e seguiu para Jerusalém.
Nesta época os judeus eram regidos por Herodes Agrippa, que levou as perseguições aos judeus às últimas conseqüências. Após um curto período de pregação, Tiago foi preso e sentenciado à morte por decapitação e abandono dos restos mortais às feras do deserto. Cumprida a sentença, os seus irmãos de fé conseguiram recolher o seu corpo, que foi embalsamado e transportado de volta à Hispania por Teodoro e Atanásio, dois discípulos convertidos em Iria Flavia. Uma vez de volta a Finisterrae, Tiago foi sepultado em um bosque de difícil acesso que recebeu o nome de Libredunum. À partir de então gerações de eremitas se revezavam na tarefa de velar o túmulo do Apóstolo.
Passaram-se quase setecentos anos, quando em 822, dois camponeses acreditaram ter visto muitas luzes vindas de um bosque êrmo. Alertado, o Bispo Teodomiro empreendeu uma viagem ao local e lá encontrou o eremita Pelayo que lhe relatou que velava o túmulo de Santiago, todo envolto por luzes. A notícia foi rapidamente levada ao rei Afonso II que mandou construir uma capela e um monastério, tornando-se o primeiro peregrino a visitar o local. Assim nasceu um dos mais importantes centros de peregrinação: o Caminho de Santiago de Campo Estela.
À partir de 845, começaram a chegar os primeiros peregrinos e já em 862 o local não suportava mais o fluxo de fiéis, o que fez com que os restos mortais fossem transladados para Santiago de Compostela. Em 1075 deu-se o início da construção da atual catedral. No século XI, o caminho partia de quatro cidades da França: Tours, Vézelay, Lê Puy até Ostabad e de Arlés até Somport.
Devido à importância que o Caminho adquiriu, em 1135, o Papa Calixto II, incumbiu o frade Aimeric Picaud de escrever uma obra a respeito, tendo sido produzido o Líber Sancti Jacobi, em cinco volumes. Um dos volumes descreve pormenorizadamente o caminho, sendo considerado o seu primeiro guia.
Com o fim da Idade Média, o Caminho de Santiago perdeu a sua importância e foi gradativamente esquecido. Somente no século XX, ele foi novamente resgatado e começaram as peregrinações modernas. O Caminho de Santiago foi declarado Conjunto Historio Artístico em 1962, é considerado Patrimônio Cultural Europeu pela Unidade Européia e Santiago de Compostela foi reconhecida pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade em 1962.
Desde o Século IX, homes e mulheres partem de suas cidades tendo como destino aquele lugar sagrado, moviemnto este que teve auge nos séculos XII e XII, com a passagem de centenas de milhares de viajantes.
Hoje em dia, pessoas de todas as idades imitam os passos medievais e percorrem este antigo traçado; uns por espírito religioso-cristão, outros por misticismo, busca interior ou apenas como aventura.
Um pouco de História:
Após a ressureição de Cristo, os apóstolos seguindo a orientação que o Senhor lhes transmitiu na terceira aparição, saíram da Judéia para espalhar suas palavras em terras desconhecidas. Tiago, filho de Zebedeo e Salomé e irmão de João "O Evangelista", frustrado com as constantes perseguições que sofreu Cristo e que continuava atingindo todos os demais cristãos, decidiu pregar em Finisterrae um lugar muito remoto onde não haviam perseguições aos cristãos.
Esta região, a mais a oeste da Europa, era então considerada o fim do mundo, daí o seu nome. Após uma longa jornada, em um pequeno veleiro que praticava o comércio em todo o Mediterrâneo, chegou a Iria Flávia, cidade na qual conseguiu vencer várias dificuldades iniciais e à partir da qual iniciou seu trabalho de evangelização entre os povos da região. Após seis anos de pregação, decidiu que era hora de voltar à Palestina a fim de contar o que tinha conseguido e trazer mais evangelizadores à Hispania. O retorno foi muito difícil e dois anos depois finalmente aportou em Jafa e seguiu para Jerusalém.
Nesta época os judeus eram regidos por Herodes Agrippa, que levou as perseguições aos judeus às últimas conseqüências. Após um curto período de pregação, Tiago foi preso e sentenciado à morte por decapitação e abandono dos restos mortais às feras do deserto. Cumprida a sentença, os seus irmãos de fé conseguiram recolher o seu corpo, que foi embalsamado e transportado de volta à Hispania por Teodoro e Atanásio, dois discípulos convertidos em Iria Flavia. Uma vez de volta a Finisterrae, Tiago foi sepultado em um bosque de difícil acesso que recebeu o nome de Libredunum. À partir de então gerações de eremitas se revezavam na tarefa de velar o túmulo do Apóstolo.
Passaram-se quase setecentos anos, quando em 822, dois camponeses acreditaram ter visto muitas luzes vindas de um bosque êrmo. Alertado, o Bispo Teodomiro empreendeu uma viagem ao local e lá encontrou o eremita Pelayo que lhe relatou que velava o túmulo de Santiago, todo envolto por luzes. A notícia foi rapidamente levada ao rei Afonso II que mandou construir uma capela e um monastério, tornando-se o primeiro peregrino a visitar o local. Assim nasceu um dos mais importantes centros de peregrinação: o Caminho de Santiago de Campo Estela.
À partir de 845, começaram a chegar os primeiros peregrinos e já em 862 o local não suportava mais o fluxo de fiéis, o que fez com que os restos mortais fossem transladados para Santiago de Compostela. Em 1075 deu-se o início da construção da atual catedral. No século XI, o caminho partia de quatro cidades da França: Tours, Vézelay, Lê Puy até Ostabad e de Arlés até Somport.
Devido à importância que o Caminho adquiriu, em 1135, o Papa Calixto II, incumbiu o frade Aimeric Picaud de escrever uma obra a respeito, tendo sido produzido o Líber Sancti Jacobi, em cinco volumes. Um dos volumes descreve pormenorizadamente o caminho, sendo considerado o seu primeiro guia.
Com o fim da Idade Média, o Caminho de Santiago perdeu a sua importância e foi gradativamente esquecido. Somente no século XX, ele foi novamente resgatado e começaram as peregrinações modernas. O Caminho de Santiago foi declarado Conjunto Historio Artístico em 1962, é considerado Patrimônio Cultural Europeu pela Unidade Européia e Santiago de Compostela foi reconhecida pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade em 1962.
terça-feira, 27 de julho de 2010
Traçando a rota
Grupo formado definimos que iniciaremos nossa trip em San Sebastian e que podemos pedalar já no dia 04 de Setembro, pois todos estaremos em Madri até o dia 02 e assim, o dia 03 será para concluirmos as compras e nos deslocar ao ponto de partida.
Para mim isso ainda parecia pouco, uma vez que não tínhamos um roteiro completamente definido, por não acreditar que poderíamos ter esta programação prévia sem conhecer as particularidades da região. Ainda bem, que definimos nossa viagem há um bom tempo e desde então, passamos a trocar informações e a interagir com ferramentas que nos possibilitam conhecer a região e o percurso sem estar lá.
É difícil encontrar literatura sobre o caminho no norte, tanto a pé quanto de bike. Visitei algumas livrarias em busca de guias sobre o caminho, mas só encontrei livros sobre peregrinação a pé pelo Caminho Francês. Estive em São Paulo procurando e também não encontrei nada. Ainda em São Paulo, visitei a Associação de Confrades e Amigos do Caminho de Santiago de Compostela, onde retirei minha credencial de peregrino e onde, novamente, nada encontrei para auxiliar-nos na definição do roteiro.
Já na Web foi fácil encontrar diversos sites sobre o Caminho e alguns são muito úteis para auxiliar na elaboração do roteiro. Em especial cito: www.mundicamino.com e www.caminhodesantiago.com, sendo que o primeiro foi o que mais me ajudou.
O Google é fantástico. Dá para “viajar” sem sair da frente da tela do micro. E assim, passei a utilizá-lo quase que diariamente.
Como disse, julgo ser importante possuirmos um programação inicial do roteiro a seguir. Enquanto que por outro lado, também é muito importante estarmos preparados e abertos as mudanças que podem e devem ocorrer. Acima de tudo, ter um objetivo claro, diário e comum a todos do grupo, me parecia imprescindível. Pensando assim, apresentei em uma das reuniões do nosso grupo uma sugestão de roteiro e esta foi bem recebida por todos.
Depois disso fiz mais alguns ajustes e no momento nossa programação é a seguinte:
Dia 02/09 – Todos já estarão em Madri e iniciaremos as compras dos ítens que não encontramos por aqui;
Dia 03/09 – As compras devem estar concluídas e nos deslocaremos à San Sebastian. Iremos de Ônibus;
Dia 04/09 – Começaremos a pedalar com destino à Lekeito;
Dia 05/09 – Pedal curto até Bilbao, onde deveremos chegar cedo para aproveitar a cidade;
Dia 06/09 – Poderemos sair de Bilbao com calma pois o pedal será curto até Laredo;
Dia 07/09 – Ultimo dia de pedal leve. Destino Santander, capital da Cantábria;
Dia 08/09 – Já no ritmo, passaremos a fazer pedais mais longos e neste dia o destino final é Colombres;
Dia 09/09 – Rumo à Sebrago passaremos pela encantadora Ribadesella;
Dia 10/09 – Nosso destino final será Aviles e no caminho visitaremos Oviedo e Veja de Sariego;
Dia 11.09 – O roteiro passa por Soto de Luiña, cadavedo e termina em Luarca;
Dia 12/09 – Entraremos na Galícia rumo à Lourenzá, passando pode La Caridad e Ribadeo;
Dia 13/09 – Ultimo dia de pedal longo, nosso objetivo será Sobrado dos Monxes;
Dia 14/09 – Devemos chegar em Santiago de Compostela no inicio da tarde.
Nas próximas postagens, falarei um pouco mais dos lugares por onde passaremos. Hoje, ainda vou aproveitar para registrar que pedalaremos por quatro regiões da Espanha. Começaremos pelo País Basco, seguiremos pela Cantábria e Astúrias e chegaremos na Galícia.
Os bascos são um povo especial: nunca esquecem que sua cultura é diferente de qualquer outra da Espanha e embora o governo Basco tenha uma autonomia bastante grande, há um forte movimento separatista que quer cortar os laços com o governo de Madri. Lembra do ETA?
No país Basco eles tem um idioma próprio, o Euskera. San Sebastian é Donostia em Euskera e por ai vai...
Nas Astúrias e Cantábria existem muitas cidades e igrejas antigas e interessante portos pesqueiros na costa, deveremos pedalar sempre beirando o mar cantábrico e poderemos conhecer um pouco da gastronomia da região e suas sidras. Estas duas províncias são divididas por uma cadeia de montanhas conhecida como Picos da Europa.
A Galícia fica na extremo noroeste da península e é conhecida como a região mais verde da Espanha e como vamos pedalar por lá no final do verão europeu devemos encontrar muito verde no caminho.
Bom, sem dúvidas teremos surpresas no caminho e muitas mudanças neste planejamento inicial, mas o que nos espera é isso.
Amanhã tem mais...
Para mim isso ainda parecia pouco, uma vez que não tínhamos um roteiro completamente definido, por não acreditar que poderíamos ter esta programação prévia sem conhecer as particularidades da região. Ainda bem, que definimos nossa viagem há um bom tempo e desde então, passamos a trocar informações e a interagir com ferramentas que nos possibilitam conhecer a região e o percurso sem estar lá.
É difícil encontrar literatura sobre o caminho no norte, tanto a pé quanto de bike. Visitei algumas livrarias em busca de guias sobre o caminho, mas só encontrei livros sobre peregrinação a pé pelo Caminho Francês. Estive em São Paulo procurando e também não encontrei nada. Ainda em São Paulo, visitei a Associação de Confrades e Amigos do Caminho de Santiago de Compostela, onde retirei minha credencial de peregrino e onde, novamente, nada encontrei para auxiliar-nos na definição do roteiro.
Já na Web foi fácil encontrar diversos sites sobre o Caminho e alguns são muito úteis para auxiliar na elaboração do roteiro. Em especial cito: www.mundicamino.com e www.caminhodesantiago.com, sendo que o primeiro foi o que mais me ajudou.
O Google é fantástico. Dá para “viajar” sem sair da frente da tela do micro. E assim, passei a utilizá-lo quase que diariamente.
Como disse, julgo ser importante possuirmos um programação inicial do roteiro a seguir. Enquanto que por outro lado, também é muito importante estarmos preparados e abertos as mudanças que podem e devem ocorrer. Acima de tudo, ter um objetivo claro, diário e comum a todos do grupo, me parecia imprescindível. Pensando assim, apresentei em uma das reuniões do nosso grupo uma sugestão de roteiro e esta foi bem recebida por todos.
Depois disso fiz mais alguns ajustes e no momento nossa programação é a seguinte:
Dia 02/09 – Todos já estarão em Madri e iniciaremos as compras dos ítens que não encontramos por aqui;
Dia 03/09 – As compras devem estar concluídas e nos deslocaremos à San Sebastian. Iremos de Ônibus;
Dia 04/09 – Começaremos a pedalar com destino à Lekeito;
Dia 05/09 – Pedal curto até Bilbao, onde deveremos chegar cedo para aproveitar a cidade;
Dia 06/09 – Poderemos sair de Bilbao com calma pois o pedal será curto até Laredo;
Dia 07/09 – Ultimo dia de pedal leve. Destino Santander, capital da Cantábria;
Dia 08/09 – Já no ritmo, passaremos a fazer pedais mais longos e neste dia o destino final é Colombres;
Dia 09/09 – Rumo à Sebrago passaremos pela encantadora Ribadesella;
Dia 10/09 – Nosso destino final será Aviles e no caminho visitaremos Oviedo e Veja de Sariego;
Dia 11.09 – O roteiro passa por Soto de Luiña, cadavedo e termina em Luarca;
Dia 12/09 – Entraremos na Galícia rumo à Lourenzá, passando pode La Caridad e Ribadeo;
Dia 13/09 – Ultimo dia de pedal longo, nosso objetivo será Sobrado dos Monxes;
Dia 14/09 – Devemos chegar em Santiago de Compostela no inicio da tarde.
Nas próximas postagens, falarei um pouco mais dos lugares por onde passaremos. Hoje, ainda vou aproveitar para registrar que pedalaremos por quatro regiões da Espanha. Começaremos pelo País Basco, seguiremos pela Cantábria e Astúrias e chegaremos na Galícia.
Os bascos são um povo especial: nunca esquecem que sua cultura é diferente de qualquer outra da Espanha e embora o governo Basco tenha uma autonomia bastante grande, há um forte movimento separatista que quer cortar os laços com o governo de Madri. Lembra do ETA?
No país Basco eles tem um idioma próprio, o Euskera. San Sebastian é Donostia em Euskera e por ai vai...
Nas Astúrias e Cantábria existem muitas cidades e igrejas antigas e interessante portos pesqueiros na costa, deveremos pedalar sempre beirando o mar cantábrico e poderemos conhecer um pouco da gastronomia da região e suas sidras. Estas duas províncias são divididas por uma cadeia de montanhas conhecida como Picos da Europa.
A Galícia fica na extremo noroeste da península e é conhecida como a região mais verde da Espanha e como vamos pedalar por lá no final do verão europeu devemos encontrar muito verde no caminho.
Bom, sem dúvidas teremos surpresas no caminho e muitas mudanças neste planejamento inicial, mas o que nos espera é isso.
Amanhã tem mais...
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